
RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DE PASTAGENS DEGRADADAS
Na pecuária a alimentação é um dos fatores mais importantes para o aumento da produtividade e as pastagens, neste contexto, constituem a base da alimentação do rebanho.
Nesta publicação serão descritos aspectos sobre : maneiras de recuperação de áreas de pastagens degradadas, escolha das espécies de gramíneas, importância da qualidade e da quantidade de sementes, adubação, descanso das pastagens, pragas.
1- Maneiras de recuperação de áreas de pastagens degradadas
Existem várias maneiras de se fazer a recuperação de áreas de pastagens degradadas. A decisão sobre a melhor forma a ser utilizada irá depender de um diagnóstico da área, considerando basicamente : o nível de degradação (início de degradação ou totalmente degradada) e as condições do solo (tipo de solo, topografia, nível de compactação, fertilidade, etc.). A análise de solo é de importância fundamental para se conhecer a sua fertilidade. A prática simples de vedação do pasto constitui, por si só, numa forma de recuperação de pastagem em início de degradação. A introdução de leguminosas em uma pastagem formada é, também, uma forma para melhorar as condições do pasto.
1.1- Recuperação direta sem preparo do solo – recomendada para uma pastagem em início de degradação provocada pelo manejo inadequado e/ou pela deficiência de nutrientes. Consiste na aplicação superficial de adubos e corretivos, seguida da vedação do pasto.
1.2- Recuperação direta com preparo mínimo do solo – recomendada quando existir compactação do solo e em casos de pastagens mal formadas. Havendo compactação em profundidade, usar o subsolador ou escarificador. Se necessário, aplicar sementes e adubos superficialmente.
1.3- Recuperação direta com preparo total do solo – recomendada para situações de degradação total da pastagem. Consiste, portanto, numa recuperação da área de pastagem através de correção, conservação e preparo total do solo – destoca (se necessário), aração e gradagem, seguidos da adubação e plantio da gramínea.
1.4- Recuperação com o consórcio de uma forrageira anual (milheto, por exemplo) – é uma forma indicada, principalmente para pastagens de brachiarias em estágio avançado de degradação. Consiste, também, no preparo total do solo seguido do plantio da semente de milheto junto com a semente de brachiaria. Após 30-35 dias de emergência, quando o milheto atinge cerca de 50-60 centímetros de altura, inicia-se o pastejo na área. Quando o milheto diminuir o seu crescimento (a partir de março) a brachiaria começará dominar a área. Recomenda-se utilizar, nesse sistema de consórcio, uma baixa quantidade de sementes de milheto (em torno de 5 a 8 kg/ha ).
1.5 - Recuperação com o consórcio de uma cultura anual – consiste no plantio de uma cultura anual (arroz, milho, sorgo) juntamente com o plantio do capim. O plantio poderá ser feito através do sistema tradicional de consorciação ou pelo sistema “Barreirão” (uso de tecnologia apropriada). Após a colheita da cultura anual a área de pastagem estará recuperada. É uma forma indicada, principalmente, quando se utiliza a cultura anual para a produção de silagem (colheita mais cedo) em áreas com nível avançado de degradação.
1.6- Rotação com uma cultura anual – consiste no plantio de culturas anuais solteiras (soja, milho, sorgo, arroz, mucuna, etc.), durante um ou mais anos, após o qual se retorna à pastagem. Muito indicada para áreas de pastagens totalmente degradadas e com alto grau de invasoras. Sempre que possível, a rotação com culturas anuais constitui uma excelente forma de integração pecuária-agricultura.
2- Escolha das espécies de gramíneas
É importante a escolha da gramínea adequada às condições de clima e solo de cada propriedade e o manejo correto das pastagens para aumentar a sua vida útil. Outro fator determinante na escolha da gramínea é a tecnologia que será utilizada e a produtividade desejada.
Quadro 1 – Principais espécies de gramíneas recomendadas, considerando algumas características de solo e clima ( Embrapa)
Condições gerais | Espécies indicadas |
| Solos úmidos (mal drenados) e/ou temporariamente úmidos, com baixa fertilidade ou solos de baixa fertilidade com alto grau de erodibilidade. | Brachiaria humidicola Brachiaria dictyoneura |
| Solos de baixa fertilidade e/ou rasos (com cascalho) | Andropogon gayanus |
| Solos de baixa a média fertilidade, bem drenados, em regiões de baixa incidência de cigarrinhas | Brachiaria decumbens Andropogon gayanus |
| Solos de média e alta fertilidade, bem drenados, em regiões com ou sem cigarrinhas | Brachiaria brizantha ( Braquiarão ) |
| Solos de média a alta fertilidade, profundos, bem drenados | Colonião, Tanzânia, Mombaça Elefante, Tifton, Coastcross |
| Solos úmidos (mal drenados), profundos, de média a alta fertilidade | Setaria Angola (bengo), Tangola |
3- Importância da qualidade e da quantidade de sementes
A qualidade das sementes de forrageiras é medida pelos graus de pureza e de germinação, denominado valor cultural (VC), ou seja, a porcentagem de sementes com condição de germinar.
O VC é determinado do seguinte modo : VC = (% de pureza) x (% de germinação)/ 100
Exemplo : semente com 40% de pureza e 80% de germinação
VC = 40 x 80 / 100 = 32% (sementes puras viáveis)
Recomenda-se o uso de sementes fiscalizadas que são registradas no Ministério da Agricultura por produtores ou por empresas. Os produtores de sementes são credenciados pelo órgão de Defesa Sanitária Animal e Vegetal, e no caso de Minas Gerais é realizado pelo IMA.
A quantidade de sementes necessárias (taxa de semeadura) depende do valor cultural da semente e das condições de plantio.
Quadro 2 – Quantidade necessária de semente
| Gramínea | VC (%) (médio) | Quilos de sementes por hectare (mínimo) | ||
| Condições ideais | Condições intermediárias | Condições desfavoráveis | ||
| Andropogon Braquiarão e B. decumbens Braquiarão e B. decumbens Braquiarão e B. decumbens Brachiaria dictyoneura Brachiaria humidicola Colonião Tanzânia e Mombaça Setaria Milheto | 15 40 32 24 20 20 16 20 15 57 | 16 6 8 10 12 12 12 9 12 18 | 20 8 10 13 16 16 16 12 16 20 | 25 13 15 20 22 22 22 16 20 22 |
O plantio das sementes ocorre normalmente em diferentes condições e para tal considerar :
a) Condições ideais : plantio em época normal, solo corrigido e bem preparado. Adubação adequada ao tipo de solo. Compactação das sementes.
b) Condições intermediárias : plantio a lanço e sem compactação. Áreas sujeitas à erosão. Época com incidência de veranico.
c) Condições desfavoráveis : plantio aéreo. Plantio tardio, solo pouco preparado. Terreno declivoso. Plantio em várzeas úmidas. Equipamento com má regulagem.
Profundidade de plantio: a profundidade de plantio varia em função da espécie de gramínea plantada. Veja alguns exemplos- sementes grandes (Brachiarias) : 1 a 2 centímetros; sementes pequenas (Andropogon, Colonião, Tanzânia, Mombaça, Setaria) : 0,5 a 1 centímetro; milheto : 2 a 3 centímetros.
4- Adubação
A pastagem é uma cultura forrageira que, para produzir bem precisa estar em solo fértil. A principal causa da degradação das pastagens, apontada pelas pesquisas, é o empobrecimento do solo em razão do esgotamento de nutrientes consumidos no processo produtivo ano após ano.
Considerando a necessidade de nutrientes, a deficiência de nitrogênio tem sido apontada como uma das mais relevantes. Além do nitrogênio, há necessidade de um suprimento adequado de cálcio, de magnésio, de fósforo, de potássio, de enxofre e de alguns microelementos (zinco, cobre, boro, molibdênio). Torna-se necessário fazer uma análise química do solo para identificar as deficiências. A análise física também e recomendável, para uma melhor recomendação da adubação.
A adubação aumenta a produtividade do pasto, entretanto é necessário fazer adubações nos anos seguintes para evitar nova degradação da pastagem.
5- Descanso das pastagens
As plantas forrageiras necessitam de um período de descanso (vedação) suficiente para uma rebrota vigorosa. É importante também observar a hora de entrada e saída dos animais do pasto em função da altura do capim, para que a rebrota e o crescimento não sejam prejudicados. Em geral, a maioria dos capins tropicais exige um período de descanso, durante a estação chuvosa, de 28 a 35 dias (4 a 5 semanas) após cada corte e, também, não devem ser rebaixados a menos de 25-30 centímetros de altura, ou seja, não deixar os animais rasparem o pasto.
6- Pragas
A principal praga que ataca as pastagens é a cigarrinha.
Época em que ocorre : ocorre no início do período chuvoso, com a elevação da temperatura e a umidade do ar aliados ao crescimento do pasto. As maiores infestações ocorrem, geralmente, nos meses de dezembro, fevereiro e março quando os insetos já se multiplicaram através de várias gerações no período. Um dos capins mais susceptíveis ao ataque é a Brachiaria decumbens.
Como ocorre o ataque : as cigarrinhas jovens se alojam na base da touceira do capim, protegidas por uma espuma abundante, sugando a seiva da planta. Na fase adulta, elas se alimentam da seiva do capim e injetam uma substância tóxica nas folhas, provocando a “queima” ou ressecamento da planta. O ataque das cigarrinhas reduz a produção e a qualidade da pastagem, podendo destruí-la totalmente.
Como fazer o controle integrado ( Recomendações ) :
a) Manejo correto da pastagem : não rebaixar a menos de 25-30 centímetros de altura, ou seja, não deixar os animais rasparem o pasto. Com isso, haverá condições favoráveis para a proteção dos inimigos naturais (fungos, aranhas, formigas carnívoras, etc.). Uma pastagem bem manejada resiste mais ao ataque de cigarrinhas.
b) Adubação da pastagem : fazer uma adubação equilibrada, principalmente com nitrogênio e potássio. Uma pastagem vigorosa resiste bem a uma infestação de cigarrinhas.
c) Controle biológico : uso do fungo Metarhizium anisopliae . Existem no mercado produtos biológicos contendo o fungo, que aplicado nas pastagens, através de pulverizações têm obtido bons resultados. Estes inseticidas biológicos devem ser usados no início do período chuvoso para maior eficiência. Observe as recomendações do fabricante e siga corretamente as instruções.
d) Uso de capins resistentes : constitui uma das práticas mais eficientes. Recomenda-se uma diversificação das pastagens com capins resistentes como: Braquiarão (Marandu), Andropogon, Estrela, Jaraguá (Provisório) e Tangola (este para baixadas úmidas). O Tanzânia, Mombaça, Tobiatã e Vencedor constituem opções para solos de maior fertilidade e de texturas média e arenosa.
As práticas de controle citadas acima devem ser utilizadas de forma integrada, lembrando-se que uma complementa a outra.
Para se ter uma pastagem persistente e com boa produtividade é necessário que o Produtor esteja consciente de que a causa principal de degradação de pastagens é, sem dúvida, o seu manejo incorreto.
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